Tudo Golpe http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br Flávio Tasinaffo é advogado, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal Econômico e tem 35 anos de experiência no segmento de prevenção à fraudes Thu, 20 Feb 2020 07:00:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Está preparado para evitar golpe do cartão no Carnaval? Vídeo mostra dicas http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/20/golpe-da-troca-do-cartao-sera-que-os-folioes-estao-atentos-neste-carnaval/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/20/golpe-da-troca-do-cartao-sera-que-os-folioes-estao-atentos-neste-carnaval/#respond Thu, 20 Feb 2020 07:00:44 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=477 Há algumas semanas, escrevi, neste blog, sobre o golpe da troca do cartão, uma prática criminosa que aumenta consideravelmente no Carnaval.

Como num passe de mágica, o golpista disfarçado de ambulante pega o seu cartão, memoriza a sua senha e lhe devolve outro cartão, muito parecido com o seu.

Recebi várias mensagens, nas redes sociais, enviadas por pessoas desesperadas com o prejuízo causado por essa prática criminosa muito comum em eventos com grandes multidões, como o Carnaval. Infelizmente, não me causou surpresa saber que, mal os primeiros blocos desfilaram, e já há relatos de vítimas.

Preocupado com esse cenário, agora que o Carnaval  2020 chegou, decidi retomar o assunto. Desta vez, o Tudo Golpe acompanhou de perto o comportamento do folião. Caro leitor, você considera que suas compras com cartão de débito e crédito têm sido realizadas de maneira segura? Assista:

 

Espero que a reportagem ajude você, bem como seus amigos e familiares, a não cair neste golpe.

Um excelente Carnaval.

 

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Golpe do falso sequestro ainda causa pânico, prejuízo e até morte http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/14/golpe-do-falso-sequestro-causa-prejuizo-e-morte/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/14/golpe-do-falso-sequestro-causa-prejuizo-e-morte/#respond Fri, 14 Feb 2020 07:00:09 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=468 Talvez por ser muito antigo, sempre que eu comento sobre o golpe do Falso Sequestro, identifico reações de surpresa. “Como é possível que alguém ainda caia neste golpe?”, é uma das perguntas recorrentes.

De fato, o golpe do falso sequestro, assim como outros aplicados por telefone, tornou-se muito comum há algumas décadas, junto com o boom dos celulares.

Ocorre, porém, que os golpistas são ardilosos e identificam, com facilidade, as fragilidades de suas vítimas. Golpes rotineiros como esse, aliás, é que me motivaram a iniciar o Tudo Golpe, para orientar as pessoas a perceberem os sinais de uma prática criminosa.

Muitos já conhecem o modo de operação dos golpistas no Falso Sequestro. Eles ligam para um número de telefone e dizem que sequestraram um parente próximo da vítima. Algum integrante da quadrilha começa a simular uma voz de choro e desespero, pedindo por socorro. Aterrorizada com a situação, muitas vezes a pessoa que está ao telefone fica sem saber como agir e acaba dizendo, ela própria, o nome de alguém.

Com essa informação, os golpistas se tornam ainda mais convincentes e exigem um depósito para que o parente seja libertado.

O Tudo Golpe recebeu manifestações, em suas redes sociais, de alguns seguidores que foram vítimas do golpe ou conhecem pessoas que foram. Optamos por preservar seus nomes:

F.B.C. contou ao Tudo Golpe que recebeu uma ligação em seu serviço, achou a voz parecida com a da sua filha e chamou-a pelo nome. Eram golpistas que passaram a fazer ameaças terríveis. Por sorte, ela foi até a vizinha e pediu para que a ajudasse. Ligaram para a escola da filha e descobriram que era tudo um golpe.

M.L.S. disse que, em seu bairro, duas pessoas foram vítimas do golpe do falso sequestro e chegaram a fazer o depósito. Comentou que o marido dela também quase caiu no golpe, mas ela conseguiu interferir a tempo e tranquilizá-lo, esclarecendo que estava tudo bem com o filho do casal.

O final foi trágico para um tio de D.S., que, infelizmente, ao receber uma ameaça de falso sequestro, teve um infarto fulminante. E, lamentavelmente, não é um caso isolado. Mês passado, um senhor de 61 anos, do município de Mandaguari, a 51 quilômetros de Maringá, no Paraná, recebeu uma ligação de um estelionatário dizendo que a filha dele havia sido sequestrada. A informação era falsa, mas, com o susto, a vítima acabou infartando e não resistiu.

Há situações em que os criminosos sequer precisam de um telefonema para obter os dados necessários para aplicar o golpe do falso sequestro.

Nas redes sociais, muitas pessoas publicam todas as informações de que os golpistas precisam: fotos, nomes, grau de parentesco. Nem tudo deve ser compartilhado, e é fundamental que o usuário entenda e utilize as ferramentas de privacidade das redes em que mantém conta.

Há versões mais modernas do golpe do falso sequestro sendo aplicadas. Com informações obtidas em redes sociais, golpistas conseguem enganar, simultaneamente, vários integrantes de uma mesma família.

Em julho do ano passado, uma idosa recebeu uma ligação dizendo que a filha e a bisneta haviam sido sequestradas e exigiram R$ 20 mil para que nada acontecesse com elas. Pediram que ela saísse de casa, fosse até um shopping próximo à sua residência e fizesse a transferência. Ela tentou, mas, como já era noite e o banco, por segurança, não permitiu que a transação fosse realizada, os criminosos ordenaram que ela voltasse para casa, deixasse um bilhete para sua família com o telefone da quadrilha e, em seguida, se hospedasse em um hotel. Quando a família chegou em casa e não encontrou a idosa, ligou imediatamente para o telefone que estava no bilhete. Começou, então, uma nova etapa do golpe. Disseram que a idosa é que havia sido sequestrada e exigiram R$ 10 mil para libertá-la. Neste caso, uma equipe especializada antissequestro conseguiu identificar que estava em curso um golpe de extorsão, e nenhum dos envolvidos chegou a efetuar o pagamento.

Outra história, porém, não teve o mesmo desfecho. Neste caso, as vítimas, além de sofrerem violência psicológica, tiveram um enorme prejuízo financeiro. Um casal de aposentados ficou desaparecido por 48 horas, suas fotos já estavam em redes sociais, e a família estava desesperada. Na verdade, os idosos haviam recebido uma ligação informando que a filha havia sido sequestrada. Foram orientados a deixar o telefone fora do gancho e a hospedarem-se em um hotel, de onde ficaram recebendo instruções e ameaças por dois dias inteiros. Como há limites estabelecidos pelas instituições bancárias, os golpistas os fizeram percorrer várias agências e realizar pequenos depósitos, que, somados, ultrapassaram R$ 300 mil. A filha do casal havia comunicado o desaparecimento dos pais à polícia, o que foi determinante para que o golpe fosse descoberto. A Polícia Civil entrou em contato com as agências para comunicar o crime, e uma das instituições informou o exato momento em que o casal estava prestes a realizar mais um pagamento. Os policiais foram até o local e explicaram o que estava acontecendo.

Quero deixar 5 dicas simples de como agir se receber uma ligação anunciando um sequestro:

  1. Ligue imediatamente para o parente citado pelos golpistas ou para alguém próximo a ele.
  2. Se não for possível ligar naquele momento, peça informações muito específicas, que somente este parente saberia responder. Pode ser qualquer coisa: o nome de tios, avós, algum animal de estimação, lugares que visitou. O objetivo é ter certeza de que eles realmente estão com aquela pessoa. Então, só tenha cuidado de certificar-se de que não são informações que estão públicas em uma rede social que possa ter sido acessada pelos golpistas.
  3. Não faça depósitos e transferências bancárias.
  4. Ao menor sinal de dúvida de que um sequestro realmente esteja em curso, comunique a Polícia Militar. Por mais que os criminosos pressionem para que as autoridades não sejam acionadas, esta ação é imprescindível para que a ocorrência seja tratada da melhor forma.
  5. Muitas vítimas, por vergonha, não denunciam ou compartilham suas experiências. Disseminar informação é uma ferramenta muito poderosa para evitar que outras pessoas caiam no mesmo golpe. Comece comentando e compartilhando este texto.

 

 

 

 

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Caiu na Rede é peixe! Golpistas levam, mas não pagam http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/05/caiu-na-rede-e-peixe-golpistas-levam-mas-nao-pagam/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/02/05/caiu-na-rede-e-peixe-golpistas-levam-mas-nao-pagam/#respond Wed, 05 Feb 2020 07:00:06 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=456 Após uma denúncia, o Tudo Golpe resolveu testar as maquininhas de cartão. O resultado é surpreendente.

O passo a passo para realizar uma compra no débito ou crédito (exceção ao método de aproximação – contactless) é padrão: inserir o cartão, digitar a senha, pressionar o botão verde para confirmar e aguardar o recibo que indica que a operação foi aprovada.

Golpistas descobriram jeito de cancelar operações de compra sem que os vendedores percebam.

Só que os golpistas notaram que, em alguns equipamentos, apertar o botão de “confirma” duas vezes antes de digitar a senha cancela a transação.

Um recibo é impresso com a informação de que o pagamento não foi realizado, porém, os comerciantes estão tão habituados com este processo de compra e venda que, quando veem o papel saindo da maquininha, são induzidos ao erro, pensam que está tudo certo e nem param para ler. Quando percebem que foram enganados – alguns nem percebem – o oportunista já está longe.

Testamos modelos de maquininhas de algumas das principais empresas que atuam no setor: PagSeguro, Getnet, Bradesco, Stone, Rede e Cielo. Conseguimos reproduzir esta situação apenas nos equipamentos da Rede.  Veja no vídeo a seguir:

Nas demais empresas, apertar o botão verde antes de digitar a senha também fará com que a transação não seja realizada, mas nenhum recibo será impresso.

Importante constatar que não se trata de uma falha nas maquininhas da Rede. Ainda assim, tendo em vista que os golpistas encontraram esta alternativa para ludibriar os vendedores, entendo que seria importante que a empresa revisasse o processo, tornando-o ainda mais seguro.

Ficam, então, dicas importante para você que tem seu negócio: fique atento ao documento impresso pela maquininha, não deixe que a rotina o faça pensar que este simples gesto não é importante. Além de confirmar se o pagamento realmente foi aprovado, é mais uma chance de conferir se o valor foi digitado corretamente. E não esqueça de orientar seus funcionários para que eles façam o mesmo e sejam sempre zelosos. Profissionais com visão de dono ajudam significativamente a reduzir o risco de golpes.

Leia também:

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Veja como é o golpe da troca de cartão, que explode no Carnaval http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/29/video-mostra-como-e-o-golpe-da-troca-de-cartao-que-explode-no-carnaval/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/29/video-mostra-como-e-o-golpe-da-troca-de-cartao-que-explode-no-carnaval/#respond Wed, 29 Jan 2020 07:00:21 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=442

O Carnaval está chegando e é preciso ficar muito atento para não se tornar vítima do golpe da troca de cartão.

Esta prática foi amplamente noticiada ano passado. Eu mesmo concedi entrevista e colaborei em uma reportagem para o Jornal da Band. Ainda assim, por desatenção, muitos foliões caíram neste golpe que causa muita dor de cabeça e um prejuízo financeiro enorme.

Talvez a convicção de que “eu jamais cairia em um golpe como este” seja exatamente um dos pontos que favorecem aos criminosos. Ocorre que os golpistas são rápidos e ardilosos.

Como o golpe acontece?

O cliente vai comprar uma bebida e o golpista, disfarçado de ambulante, irá distraí-lo com um bate-papo, a oferta de uma promoção, uma piada, um argumento qualquer. Ele vai pedir o cartão, colocar na maquininha e memorizar a senha digitada. Há um cartão idêntico ao do consumidor embaixo do equipamento. Os criminosos têm plásticos de várias cores, bancos e administradoras obtidos com outras vítimas. Assim que a transação for aprovada, o bandido irá retirar o recibo e entregá-lo junto com o cartão que estava escondido.

Agora, com o cartão e a senha, o golpista irá limpar a conta corrente da vítima em poucos minutos. Solicitará empréstimos que estiverem disponíveis, utilizará o cheque especial, enfim, causará um verdadeiro estrago. Aliás, caro leitor, faço um parênteses aqui: considere pedir ao seu gerente para remover limites e créditos pré-aprovados para aquisição de imóveis ou veículos quando você estiver certo de que não os irá utilizar.

Meu principal conselho é: não se limite em dizer: “comigo nunca vai acontecer”. Adote estratégias que, de fato, garantam que você não entrará para esta estatística:

  1. Ao ter o seu cartão devolvido, em qualquer lugar que tenha feito compras, mas principalmente em locais de grande aglomeração como nos blocos de Carnaval, certifique-se que é realmente o seu cartão, observando o nome gravado no plástico.
  2. Você também pode personalizar seu cartão com algum adesivo, o que facilitará sua identificação e inibirá a ação do golpista.
  3. Prefira ter a maquininha em suas mãos, virada para você. Confira o valor que foi digitado pelo vendedor e esteja certo de que ninguém esteja observando sua senha.
  4. Mantenha o número do seu celular atualizado no banco e na administradora, pois assim você receberá SMS informando transações que forem realizadas com seu cartão, permitindo identificar mais rapidamente alguma que não tenha sido autorizada. Percebeu que alguém está usando seu cartão, cancele-o imediatamente.
  5. Procure esconder o código de segurança do seu cartão. Ainda que o golpista não consiga trocá-lo, pode tentar rapidamente tirar uma foto da numeração e memorizar os três ou quatro dígitos do código de segurança, o que possibilitará a ele realizar compras pela Internet.
  6. Outra questão importante, dica simples que atravessa gerações: vai para o bloco? Leve apenas o que for estritamente necessário. E cogite levar algum dinheiro como alternativa para não ficar na mão no caso de perda ou roubo do cartão.

Golpe da troca do cartão faz ainda mais vítimas durante o Carnaval.(Rovena Rosa/Agencia Brasil)

O que fazer caso já tenha sido vítima do golpe?

Com estas dicas, tenho certeza de que você estará seguro. Mas, se for vítima ou se encontrar alguém nos blocos que tenha acabado de ter o cartão trocado, o primeiro passo é tentar lembrar qual era a maquininha que o golpista estava utilizando. Atualmente, pela cor e formato, é fácil identificar. Caso não se recorde, o banco pode ajudar. E por que isso faz diferença?

Muita gente não sabe, mas a vítima pode ligar para a empresa responsável pela administração da maquininha e, se fizer isso rápido, talvez seja possível bloquear o saldo do golpista e recuperar todo o dinheiro. Eu já havia dado esta dica quando comentei sobre o golpe do sequestro no débito ou no crédito.

Também é fundamental entrar em contato com o banco para cancelar o cartão e fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ao local em que o golpe aconteceu.

Espero que estas dicas tenham ajudado e lhe permitam ter um Carnaval com muito mais segurança.

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Como evitar que o sonho de fazer intercâmbio vire um pesadelo http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/como-evitar-que-o-sonho-de-fazer-intercambio-vire-um-pesadelo/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/como-evitar-que-o-sonho-de-fazer-intercambio-vire-um-pesadelo/#respond Wed, 22 Jan 2020 07:00:32 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=405 Estudar no exterior requer bastante planejamento e cuidados para não ser enganado.

Normalmente, procura-se pela agência com antecedência em relação ao início do curso, seja de idiomas ou uma graduação.

Estudar no exterior é um projeto muito legal, mas é preciso cuidado para não cair em golpes.

 

O que algumas agências fazem? Recebem o pagamento do intercambista, mas não o repassam imediatamente para a instituição de ensino. Elas retêm o dinheiro, investem para obter mais lucro e, somente próximo a data da viagem, realizam a matrícula e enviam a carta de confirmação para o aluno.

 

“Por intermédio de uma agência de São Paulo, contratei um curso de inglês com duração de seis meses em Vancouver, no Canadá, e paguei antecipadamente. No meio do curso, lá pelo quarto mês, eu estava na classe, quando uma das responsáveis pela escola interrompeu a aula e pediu que eu a acompanhasse até seu escritório. Ela disse que eles não poderiam fornecer meu certificado, tampouco permitir que eu continuasse a frequentar o curso, já que não haviam recebido nenhuma mensalidade. Eu não entendi absolutamente nada. Expliquei que eu já havia feito o pagamento para a agência no Brasil e foi então que eu descobri que o valor não havia sido repassado para eles. Eu conhecia o proprietário da agência, as negociações iniciais haviam sido presenciais e, por várias vezes, conversamos por celular e WhatsApp antes e durante a viagem. Pensei que seria um mal-entendido e que, ao contatá-lo, tudo seria esclarecido, afinal, os próprios representantes da escola estavam surpresos porque era uma agência com a qual eles sempre tiveram parceria. Porém, ele não respondia mais as mensagens, não atendia nem a mim e nem a escola. Entrei em desespero, chorei muito. Estar lá, para mim, significava a realização de um sonho e o investimento de uma vida inteira. Eu havia ficado desempregada e utilizei o valor integral da minha rescisão neste projeto. De longe, tudo ficou mais difícil de resolver. Mandei mensagens, recorri às redes sociais e, por fim, quem cedeu foi a escola, que permitiu que eu desse continuidade aos estudos, forneceu meu certificado de conclusão e, suponho eu, assumiu o prejuízo”, contou-nos uma seguidora de nossas redes sociais.

 

A economia no Brasil é muito volátil e este cenário, associado ao modo como as agências atuam, é o que causa tantos relatos de vítimas que tiveram seus sonhos ameaçados ou destruídos.

 

Vamos entender com alguns números – Imagine que uma agência, em julho do ano passado, tenha vendido cursos de inglês para o início de 2020 por U$ 10 mil cada, com o dólar a R$ 3,82. Porém, deixou para efetivar a matrícula no início de dezembro, com a cotação a R$ 4,21. A diferença entre o valor recebido e o que deverá ser repassado à instituição de ensino, por aluno, terá chegado a quase R$ 4 mil em um intervalo de apenas cinco meses. Multiplique por vendas em grande escala e, mesmo considerando comissionamento e eventuais ganhos com investimentos, não são raras as agências sem estrutura para sobreviver a estas variações, colocando seus estudantes em risco.

 

Como se proteger – Ao procurar uma agência, solicite (e exija em contrato) que a carta de matrícula lhe seja entregue o mais rapidamente possível. E entre em contato com a escola ou faculdade para confirmar se está tudo certo. Muitas destas instituições contam com representantes brasileiros (ou estrangeiros que falam português) e que poderão lhe prestar assessoria. Se não houver e você entender que seu nível no idioma local não lhe possibilitará esta comunicação, não hesite em pedir ajuda para alguém. Nossa reportagem consultou uma especialista que nos trouxe mais dicas para quem pretende estudar fora do Brasil:

“Quando você for buscar uma agência, um serviço de consultoria, certifique-se de sua idoneidade. Consulte o CNPJ (aqui no Canadá temos um business number), faça pesquisas em sites como o Reclame Aqui, consulte reviews para saber o que estão falando destas empresas, se outros alunos as recomendam ou se tiveram problemas. Hoje, principalmente com as mídias sociais, você pode fazer uma boa pesquisa na internet sozinho e descobrir muito sobre uma empresa”, recomendou Letícia Mello, fundadora da Mellow Cultural Exchange, com sede no Canadá.

Outro fator importante, de acordo com Letícia Mello, é como a distância pode dificultar na hora de resolver um problema. “Tanto como intercambista, que já fui, quanto como profissional atuante no setor, posso dizer que é muito importante contar com um suporte local, principalmente se o aluno não for adulto ou se estiver sozinho e não conhecer nada do idioma”.

O assunto é sério. Em junho do ano passado, por exemplo, a agência Time2Travel anunciou a suspensão de suas atividades prejudicando milhares de estudantes. Na época, até os funcionários foram pegos de surpresa e divulgaram uma nota oficial. Leia um trecho:

 

“Prezados clientes,

Nós funcionários/consultores da agência Time2 Travel, juntamente a vocês, recebemos essa notícia inesperada, nos abalando profundamente. Temos plena consciência de que essa situação muito crítica os abalou, como a nós também.

A notícia se espalhou de forma incontrolável, causando grande revolta para todos nós, pois também perdemos com tudo isso”.

 

 

Em dezembro, funcionários e clientes da agência 4U Intercâmbio, com sede em São José dos Campos, no interior de SP, registraram boletins de ocorrência alegando que o dono do estabelecimento havia desaparecido com o dinheiro dos pacotes comprados, que incluíam cursos de inglês e acomodação para diferentes países. Centenas de estudantes foram lesados.

 

Há outra situação que afeta muitos estudantes brasileiros. É quando a instituição de ensino é quem encerra repentinamente suas atividades. Aconteceu com uma escola na Irlanda ano retrasado, frustrando o sonho de muitos intercambistas. Informe-se com sua agência se, em situações como esta, você está protegido por algum fundo ou cláusula que lhe assegure ressarcimento ou realocação em outra escola.

Também recomendo que pergunte sobre o reembolso no caso de algum imprevisto que o obrigue a cancelar a viagem.

 

Acomodação e o Golpe do Aluguel

Há muitos outros cuidados que devem ser observados em um plano de estudos no exterior. A acomodação é, indubitavelmente, um deles. “Se você pretende ficar em uma casa de família, ou deixar seu filho hospedado em uma, esta casa passa por uma triagem, a família passa por uma entrevista, precisa entregar um atestado de antecedentes criminais para as agências e para as escolas”, alertou Letícia. Ela também comentou sobre a locação de imóveis via site: “As pessoas têm uma ideia de que só porque estão indo para outro país os sites são confiáveis. Não é bem assim. Muitas pessoas querem buscar acomodação na internet, é super delicado. Você entrar em um site, encontrar alguém que está alugando um apartamento, enviar seu dinheiro, sem nenhuma referência”.

Nossa reportagem conversou também com Diego Gomes, cofundador e CEO da Van Sweet Home Consulting, empresa que presta assessoria na locação de imóveis no Canadá. Ele nos disse que “o primeiro passo é o estudante pesquisar bastante sobre a empresa e o proprietário com o qual pretende fechar o contrato. Buscar informações sobre a unidade e a respeito do site no qual esta unidade foi anunciada. O melhor caminho é buscar sites de empresas de gerenciamento de imóveis ou imobiliárias. Sites de anúncios como Craigslist, Kijiji, Padmapper , Zumper, entre outros, não são tão confiáveis quanto os sites das empresas”. Diego também julga importante uma pesquisa sobre a região em que você pretende ficar para que consiga avaliar se o anúncio é verdadeiro. “Certificar-se de que o anúncio faz sentido também é um ponto importantíssimo. Uma pesquisa de valores de imóveis por região e tipo de unidade é essencial para entender o movimento do mercado imobiliário”, completou.

Fundamental que se realize uma pesquisa mais abrangente.

Diego nos contou que grande parte dos golpes acontece quando os clientes acreditam em promoções fantásticas: “Quando a esmola é demais o santo desconfia! É da nossa cultura querer o melhor possível com o menor preço possível. Infelizmente, isso não acontece por aqui. A maioria dos golpes acontece exatamente por conta deste cenário. Um imóvel é anunciado muito abaixo do valor de mercado e o estudante acredita que ele conseguiu uma pechincha daquelas. Em um e-mail super bem elaborado, o anunciante pede um valor de adiantamento para que ele segure a unidade até que o estudante chegue na cidade e possa vê-la. Obviamente, quando recebe o valor, este anunciante some do mapa”, explicou. Outra situação muito comum, segundo Diego, é o estudante fechar o acordo de moradia ainda no Brasil e, ao chegar no país de destino, a vaga já estar preenchida. “Já vi acontecer algumas vezes, infelizmente”, comentou.

Se pretende estudar no exterior ou conhece alguém que esteja envolvido neste projeto, espero que estas dicas possam ajudá-lo a conduzir tudo com mais segurança.

Boa viagem.

 

Leia também: Férias frustradas – O Golpe da casa na praia

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Tá precisando de dinheiro? Cuidado com o golpe do falso empréstimo http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/ta-precisando-de-dinheiro-cuidado-com-o-golpe-do-falso-emprestimo/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/ta-precisando-de-dinheiro-cuidado-com-o-golpe-do-falso-emprestimo/#respond Wed, 15 Jan 2020 07:00:58 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=423 A crise financeira e o desemprego fazem muita gente precisar de um empréstimo pessoal. Nessas horas, é preciso manter a lucidez e não perder a capacidade de identificar golpistas. O golpe do falso empréstimo já fez milhares de vítimas no Brasil.

Como é a abordagem

Os golpistas fazem anúncios em sites, jornais e revistas, ligam diretamente para as vítimas e, mais recentemente, também passaram a enviar mensagens via WhatsApp, sempre oferecendo empréstimos com condições muito vantajosas, taxa de juros baixíssima, parcelamento mais amplo e sem consulta ao SPC/Serasa. Se a pessoa estiver negativada, não tem problema, é o que eles prometem.

Antes, os criminosos utilizavam nomes de grandes bancos e, agora, com o surgimento de fintechs, passaram a explorar o crescimento deste segmento e a quantidade de instituições financeiras atuantes no mercado.

A principal característica para a identificação do golpe é o pedido de um depósito antecipado, sempre em uma conta bancária em nome de pessoa física, para liberação do valor do empréstimo. Este pagamento, segundo os golpistas, servirá para cobrir um seguro fiança ou taxa de abertura de crédito.

Este é, insisto, o principal indicativo do golpe. A vítima irá depositar ou transferir o dinheiro para uma conta que sequer é da instituição com a qual está negociando o empréstimo.

Entenda que bancos, financeiras e seus correspondentes autorizados não pedem depósitos para liberação de empréstimos. A regra é simples: recebe primeiro e paga depois.

Como identificar que é golpe e dicas para se proteger:

  • Empréstimos só podem ser concedidos por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central (BC). Pesquise-as clicando aqui.
  • Desconfie de ofertas muito atraentes, com taxa de juros abaixo da praticada no mercado, parcelamento a perder de vista e concessão mesmo a quem estiver negativado.
  • Consulte se a instituição opera em um endereço fixo válido.
  • Faça pesquisas na internet e não confie em instituições que não tenham nenhuma avaliação no site Reclame Aqui ou no Procon.
  • Nunca forneça seus dados pessoais nem envie documentos para alguém que você não conhece. Os criminosos poderão usar estas informações para aplicar outros golpes na praça.
  • Identifique nos e-mails e mensagens que receber se há erros de português, o que é indício de golpe.
  • Se estiver em contato por WhatsApp, certifique-se de que o número é o mesmo que a instituição disponibiliza em seu site ou em materiais institucionais. Há quadrilhas que criam centrais de atendimento idênticas às de grandes corporações para ludibriar suas vítimas. Acesse o site das empresas e ligue para o telefone divulgado para certificar-se da veracidade da proposta.
  • E, por fim, a regra de ouro que quero enfatizar: bancos ou quaisquer outras instituições financeiras confiáveis NUNCA irão pedir depósito antecipado para liberar um empréstimo. Não faça depósitos ou transferências antes de receber qualquer valor. Proteja o seu dinheiro.

 

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Cuidado com boletos falsos para pagamento do IPVA http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/07/cuidado-com-boletos-falsos-para-pagamento-do-ipva/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2020/01/07/cuidado-com-boletos-falsos-para-pagamento-do-ipva/#respond Tue, 07 Jan 2020 07:00:15 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=387

O pagamento do IPVA já está incorporado à rotina do contribuinte todo início de ano. Golpistas, então, aproveitam-se da ocasião para emitir boletos falsos.

Os criminosos são perspicazes. Os documentos podem seguir com o nome completo e o endereço do cidadão, logotipos do banco e da Secretaria da Fazenda estadual e o código de barras para pagamento.

A orientação para não cair em golpes é simples: desconfie de quaisquer boletos recebidos por Correios, e-mail ou aplicativos de mensagens como WhatsApp.

O Distrito Federal e os estados de Amapá e Mato Grosso do Sul são os únicos que ainda enviam o boleto pelos Correios, porém, mesmo nestes locais, o contribuinte pode efetuar o pagamento diretamente no banco, caixas eletrônicos ou internet banking, utilizando o código Renavam do veículo. Esta orientação vale para todas as unidades federativas.

Contribuintes amapaenses, brasilienses e sul-mato-grossenses que optarem por efetuar o pagamento do boleto entregue pelos Correios devem conferir com muita atenção se todos os dados estão corretos e quem será o beneficiário para não cair em golpes.

O Tudo Golpe relaciona os links em cada um dos estados para que você consiga imprimir sua guia, utilizando apenas o código Renavam do seu veículo.

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Pede um Uber pra mim, golpe do delivery e outras fraudes que marcaram o ano http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/31/pede-um-uber-pra-mim-golpe-do-delivery-e-outras-fraudes-que-marcaram-o-ano/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/31/pede-um-uber-pra-mim-golpe-do-delivery-e-outras-fraudes-que-marcaram-o-ano/#respond Tue, 31 Dec 2019 07:00:38 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=372 No segundo semestre deste ano, o UOL me convidou para escrever este blog sobre golpes e dicas de como se proteger.

O blog é um dos desdobramentos de um projeto pessoal de municiar a população com informações sobre a indústria do estelionato no Brasil. A exposição no maior portal noticioso do país vai além do reconhecimento deste esforço; o importante, neste caso, é o alcance deste trabalho. Estar no UOL é saber que o conteúdo irá chegar a muitas pessoas. O texto sobre um golpe aplicado contra motoristas do aplicativo UBER alcançou, sozinho, quase 700 mil pessoas até agora.

Nossa segunda maior audiência também envolve a prestação de um serviço que está no cotidiano das pessoas: a entrega de comida por aplicativo. A matéria que expôs o golpe do delivery, aplicado por alguns entregadores, tornou-se, no dia de sua postagem, a mais lida do portal UOL.

Matéria sobre o golpe do delivery foi a mais lida do UOL no dia de sua publicação

A primeira publicação ocorreu em 11 de Setembro e foi sobre o golpe do motoboy. Além de explicar sobre esta verdadeira armadilha preparada pelos criminosos e que fez muitas vítimas no decorrer do ano, divulguei uma condenação imposta ao Banco Itaú, evidenciando, desde o princípio, que meu compromisso seria sempre com o leitor, escrevendo com independência política e comercial.

Abordei crimes contra os aposentados, como o desconto indevido na aposentadoria e o golpe do pecúlio.

Conversamos sobre golpes antigos e que ainda fazem vítimas, como o golpe do bilhete premiado.

Golpe do Bilhete Premiado faz vítimas há décadas.

E golpes mais modernos. Criminosos, por exemplo, já usam maquininhas de débito e crédito durante o sequestro relâmpago.

Procurei demonstrar como  os golpistas são oportunistas e inescrupulosos. O Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados, então, os criminosos prometem falsas vagas de trabalho.

Agendam saques de FGTS para cometer o crime da saidinha de banco.

E, no golpe das despesas hospitalares, não perdoam nem mesmo quem está internado precisando de cuidados médicos.

A internet e as redes sociais tornaram-se aliadas dos golpistas. Entrevistamos uma vítima que comprou uma TV em um site falso divulgado no Facebook e, a partir de sua história, apresentamos dicas de como evitar este golpe cada vez mais comum. Além do site falso, ela foi vítima de um golpe muito frequente no Brasil, o do boleto falso, que pautou outra de nossas matérias.

Conversamos com especialistas em suas respectivas áreas: corretor de imóveis para orientar sobre o golpe da casa na praia e psicóloga para explicar de maneira muito mais embasada o que leva uma pessoa a tornar-se vítima do golpe do amor.

Golpistas são capazes de trocar o seu cartão em um momento de distração e substituir as maquininhas de débito e crédito de estabelecimentos comerciais.

Trouxemos dicas para que você não fosse enganado em relação aos preços da Black Friday e abordamos temas diversos como as armadilhas que envolvem a contratação de seguro para celular e o risco ao  qual você se expõe ao completar o óleo do seu carro em um posto de combustível.

Finalizo o ano agradecendo por mais de 1,5 milhão de acessos às reportagens do blog e aos quase 30 mil fiéis seguidores de nossas redes sociais e ratificando, para o próximo ano, os compromissos de informar, de forma clara, sobre os principais golpes aplicados no Brasil e de trazer dicas valiosas para que você possa se proteger.

Você, caro leitor, pode pautar este blog. Sugira, participe, critique. Todos os comentários são lidos e avaliados.

Semana que vem temos conteúdo novo no blog. Até 2020!

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Vendem-se cachorros que falam e a torre Eiffel: relembre golpes históricos http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/23/vendem-se-cachorros-que-falam-e-a-torre-eiffel-relembre-golpes-historicos/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/23/vendem-se-cachorros-que-falam-e-a-torre-eiffel-relembre-golpes-historicos/#respond Mon, 23 Dec 2019 07:00:46 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=359 Já que final de ano é tempo de retrospectiva, hoje o blog irá relembrar alguns golpes que entraram para a história.

Golpista fingiu ser piloto, médico e advogado

Você já assistiu ao filme “Prenda-me se for capaz”, com Leonardo Di Caprio e Tom Hanks? A obra é baseada na verdadeira história de Frank Abagnale Jr.. Mestre na “arte” da enganação,

Abagnale usou muitos disfarces. Falsificou um cartão de identificação, conseguiu um uniforme e fingiu ser piloto da companhia aérea Pan Am para voar de graça ao redor do mundo.

Passou-se por médico pediatra e, na profissão, quase sempre dava um jeito de transferir para seus colegas as tarefas mais difíceis. Por pouco não deixou um bebê morrer por falta de oxigênio.

Forjou diploma de advogado formado em Harvard e também foi professor de sociologia em universidade, sem jamais ter se qualificado para tal.

Assumiu muitas identidades, fraudou cheques e causou prejuízos de milhões de dólares em 26 países. Quando foi preso na França, todos os países em que havia cometido crimes pediram sua extradição. Depois de algum tempo, foi deportado para os Estados Unidos e sentenciado a 12 anos de prisão.

Ficou preso por cinco anos e, por conhecer muito sobre o assunto, foi solto com a condição de que passasse a ajudar as autoridades federais a identificar e evitar fraudes monetárias. Também começou a atuar como consultor e palestrante para alguns bancos. Ele conhecia as artimanhas dos estelionatários e suas dicas foram muito bem recebidas.

Hoje, Abagnale tem uma empresa de consultoria de fraudes e prevenção, e ganha bastante dinheiro ajudando empresários a identificar golpistas. Ele alerta sobre o aumento dos riscos nos dias de hoje: “Com a evolução tecnológica, agora é muito mais fácil fazer isso do que quando eu fiz.”

Embora alguns o considerem um gênio, não é assim que ele se enxerga: “Olho como algo imoral, não ético. Eu vivo com um ônus cada dia da minha vida e vou viver assim até morrer.”

Enganou traficantes e deu entrevista a Amaury Jr.

No Brasil, também já houve golpista que virou tema de filme. Marcelo Nascimento Rocha já deu falsas carteiradas e adotou muitos nomes e ocupações.

Disse que era sobrinho do dono de uma companhia de transporte rodoviário, e assim viajava de graça. Mentiu que era policial para conseguir hospedagem na faixa e, durante a farsa, pasmem, chegou até a efetuar uma prisão. Fingiu que era repórter da MTV e entrevistou artistas. Foi olheiro da seleção brasileira de futebol, só esqueceu de combinar com a confederação.

No cenário musical, disse ser integrante da banda “Nenhum de Nós”. Ele dizia que ninguém lembra mesmo do rosto do baterista. Também escolheu ser guitarrista do Engenheiros do Hawaii, tendo distribuído alguns autógrafos.

Transportou drogas pilotando avião e, quando foi capturado, até os narcotraficantes ele conseguiu ludibriar, escapando da morte quase certa.

Seu “auge” foi no Recifolia, carnaval fora de época que acontece em Recife. Durante o evento, ele se passou por vice-presidente da companhia aérea Gol e filho do presidente da empresa.

Lá, com o prestígio que o falso título lhe trouxe, relacionou-se com artistas e empresários e deu entrevistas para o apresentador Amaury Jr.

Certa vez, na prisão, houve uma rebelião, e ele se passou por integrante de uma facção criminosa para ser escolhido como o detento que lideraria as negociações e depoimentos para a imprensa.

Sua história virou livro, filme e documentário, disponível na Netflix: “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”. E, embora exista uma tendência a romantizar seus atos, o próprio Marcelo diz reconhecer que é um criminoso.

Famoso escritor que nunca existiu

Na literatura, lembro de J.T. LeRoy, forçado pela mãe a ser um garoto de programa. Na adolescência, vestia-se de mulher e era viciado em drogas. Decidiu, então, escrever sobre sua vida, e fez muito sucesso.

O primeiro livro foi “Sarah”, lançado em 1999. Depois veio “The Heart is Deceitful Above all Things”. No Brasil, o título foi adaptado para “Maldito Coração”. As obras caíram no gosto de celebridades, e a segunda rendeu até uma adaptação para os cinemas.

J.T. LeRoy começou a fazer aparições públicas, até que, em 2006, descobriu-se que ele nunca existiu. Ao menos não na vida real.

A verdadeira escritora por trás das supostas autobiografias era Laura Albert, uma operadora de telessexo e cantora de punk rock. Por telefone, a própria Laura costumava se passar por LeRoy. Publicamente, era sua cunhada, Savannah Knoop, quem interpretava o papel, sempre trajada com uma peruca.

Ah, se meu cachorro falasse…

Quanto você pagaria por um cachorro que fala, caro leitor?

Joseph Weil foi um dos maiores trapaceiros de todos os tempos e inspirou até Hollywood, no aclamado filme “Golpe de Mestre”, de 1973. Há muitos golpes inusitados envolvendo seu nome. Por exemplo, a venda de água de chuva como se fosse elixir, e um golpe de US$ 2 milhões aplicado no italiano Benito Mussolini.

Mas nada se compara às suas habilidades de ventríloquo, que lhe permitiram vender filhotes de cachorros falantes por grandes quantias.

“O desejo de ganhar algo sem dar nada em troca tem custado caro para a maioria das pessoas que negociaram comigo e com outros golpistas. (…) Mas eu descobri que é assim que a coisa funciona. Uma pessoa média é, em minha opinião, 99% animal e 1% humana. Esses 99%, que são a porção animal, causam muitos poucos problemas. Mas o 1% que é humano é a causa de todas as nossas mazelas. Quando as pessoas aprenderem –e eu duvido que algum dia irão– que elas não podem ganhar algo do nada, o crime irá diminuir e nós viveremos em grande harmonia”, disse Joseph Weil.

Dupla ganhou o Grammy, mas só dublava

É do campo da música que vem uma das fraudes mais memoráveis. Os mais jovens, talvez, nunca tenham ouvido falar de Rob Pilatus e Fabrice Morvan, que formaram a dupla Milli Vanilli, fenômeno da música pop no final dos anos 1980 e que levou até o mais importante prêmio da indústria fonográfica, o Grammy. Suas canções invadiram as pistas de dança no mundo todo. No Brasil, serviram de trilha sonora para novelas globais.

Meses após a premiação, porém, descobriu-se que nenhum dos dois integrantes da dupla havia cantado nas gravações do álbum “All or Nothing”, e o prêmio foi retirado dos artistas.

John Davis era o verdadeiro cantor por trás da dupla, que apenas dublava as canções. Em 1996, Pilatus foi preso em Los Angeles sob suspeita de tentar roubar um carro e fazer ameaças de morte. Dois anos depois, foi encontrado morto no quarto de um hotel em Frankfurt.

Fazendo dinheiro no forno de casa

Podemos ir para o ramo culinário e voltar um pouco mais no tempo. Em 1716, a norte-americana Mary Butterworth, então com 30 anos, lavava roupas para fora e trabalhava como confeiteira para sustentar os filhos. Mas queria mais.

Em sua cozinha, passou a produzir libras esterlinas. Receita: passe um pedaço de tecido engomado com ferro, corrija as imperfeições e coloque no forno para deixar as notas com aspecto de autênticas.

O negócio prosperou, Brutterworth começou a abastecer várias colônias britânicas, que mais tarde constituiriam os Estados Unidos da América. Passou a contar com apoio de importantes políticos e juízes locais, até que a casa (da moeda) caiu. Mas ela não foi presa.

Sua “cozinha industrial” foi descoberta, mas, como ela só usava material caseiro e sempre lavava o tecido que utilizava para fabricar as notas, não conseguiram reunir provas para incriminá-la. Continuou solta e decidiu seguir o caminho da legalidade, abrindo um serviço de bufê.

Esquema Ponzi: origem da pirâmide financeira

Hoje, muitos golpes envolvendo bitcoins são noticiados com explicações de que não passam de pirâmides financeiras. Na década de 1920, o italiano Charles Ponzi prometia, nos Estados Unidos, retorno de 50% em apenas 45 dias a quem investisse com ele.

A mágica acontecia comprando cupons de reembolso postal na Itália e resgatando seu valor nos EUA. Como o dólar valia mais do que a lira, o negócio parecia imperdível. Houve até quem hipotecasse a própria casa para investir no que ficou conhecido como esquema Ponzi.

O problema é que ele usava o dinheiro de quem entrava para pagar quem saía. ascia a famosa pirâmide financeira. O esquema entrou em colapso e prejudicou milhares de pessoas. Ponzi morreu pobre, no Rio de Janeiro, em 1949.

Vende-se a estátua da Liberdade

Vender grandes monumentos também já foi um “bom negócio”. Do portfólio de George C. Parker (1870-1936), a ponte do Brooklin era a que, digamos, tinha mais saída. A estátua da Liberdade também foi vendida por ele algumas vezes.

Outros cartões postais de Nova York, cidade natal de Parker, foram vendidos por este golpista. Ele falsificava documentos para evidenciar ser o proprietário destes cartões postais.

Muitas vezes, as vítimas só percebiam que haviam sido enganadas quando começavam a cobrar ingressos para visitação e, logicamente, eram retiradas pela polícia.

Vende-se torre bem localizada em Paris

O monumento pago mais visitado do mundo, símbolo da cidade luz e de toda a França, também já foi bom negócio para golpista.

Em 1925, o estelionatário Victor Lustig obteve documentos falsos, fingiu ser funcionário do alto escalão do governo francês e vendeu a torre Eiffel para um empresário do ramo da sucata, que acreditou que poderia desmontá-la para lucrar com as mais de 7.000 toneladas de aço.

Saudades do que eu não vivi em Poyais

E que tal viver e empreender em Poyais, um promissor país da América Latina?
Não, caro leitor. Não adianta revisar os livros de geografia. Poyais só existiu na mente do soldado escocês McGregor, que, no início do século 18, em Londres, inventou este país e começou a vender terras e a trocar libras esterlinas pela inexistente moeda local.

Navios com colonizadores saíram da Europa com destino à Poyais, mas, claro, jamais chegaram ao local, que nunca existiu.

A fogueteira do Maracanã e a farsa de Rojas

Voltando ao país do futebol, o jogo era no Maracanã. Brasil X Chile, 1989. Estava em disputa uma vaga para a Copa do Mundo do ano seguinte. O Brasil vencia o jogo por 1 a 0 , placar que ia garantindo a classificação da seleção canarinho. Aos 28 minutos do segundo tempo, porém, a partida foi interrompida porque a torcedora Rosenery Mello lançou um sinalizador no campo, que caiu próximo ao goleiro chileno Roberto Rojas.

Logo, viu-se o rosto do goleiro coberto de sangue. Alegando falta de segurança, a seleção chilena deixou o campo, e o árbitro encerrou a partida. Rojas saiu amparado por seus companheiros.

Seria o Brasil punido, ficando fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história? Não, pois tudo não passou de uma farsa. Aproveitando-se da atitude irresponsável da torcedora, Rojas cortou a própria testa com uma lâmina.

Rojas, em um primeiro momento, foi banido para sempre do futebol. Foi perdoado em 2001, quando passou a trabalhar como preparador de goleiros. Ele se arrependeu da atuação dramática daquele ano.

A torcedora, que ficou conhecida como a “fogueteira do Maracanã”, foi inocentada e deixou rapidamente as páginas policiais para estampar a capa da revista “Playboy”. Ela faleceu em 2011, vítima de aneurisma cerebral.

A grávida de Taubaté

Encerro com uma história que transformou o nome de uma cidade em sinônimo de farsa. A cidade de Taubaté (SP) desempenhou papel importante na evolução histórica e econômica da região do vale do Paraíba e de todo o país.

É reconhecida como a capital nacional da literatura infantil, por ter sido cenário que deu origem às obras de Monteiro Lobato. Foi em Taubaté que o famoso escritor, criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo, nasceu e passou toda a sua infância.

No início desta década, porém, uma história chamou a atenção de todo o Brasil.
Maria Verônica afirmou estar grávida de quadrigêmeos, participou de programas de televisão, emocionou apresentadores e telespectadores, recebeu doações, mas era tudo uma grande mentira.

A barriga era de silicone com enchimento de tecido. As imagens do ultrassom haviam sido copiadas da internet. Ela ficou conhecida nacionalmente como “a grávida de Taubaté”.

Foi em 2012 e, naquele ano, a falsa barriga virou adereço de carnaval. Memes se espalharam pela internet, inclusive associando Taubaté a outras personagens com atitudes suspeitas. Quem lembra?

E você, caro leitor? Recorda-se de alguma outra grande farsa que eu não tenha citado aqui? Escreva nos comentários.

Desejo a você e a sua família um feliz Natal!

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Pede um Uber pra mim? Cuidado. Sua boa ação pode te colocar na cadeia http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/pede-um-uber-pra-mim-cuidado-sua-boa-acao-pode-te-colocar-na-cadeia/ http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/pede-um-uber-pra-mim-cuidado-sua-boa-acao-pode-te-colocar-na-cadeia/#respond Wed, 11 Dec 2019 07:00:06 +0000 http://tudogolpe.blogosfera.uol.com.br/?p=344 Se você estiver em frente a um hospital e uma senhora abordá-lo e pedir: “Por favor, você pode chamar um Uber pra mim? Preciso ir em casa pegar roupas para o meu neto que está internado, mas a bateria do meu celular acabou. Eu te dou o dinheiro agora mesmo”.

Como você reagiria?

E se, após o teatro, restaurante ou qualquer outro passeio, você estiver esperando seu carro chegar e uma gestante, bem vestida, pedir algo parecido: “Moça, preciso ir pra casa, mas não consigo sinal de jeito nenhum. Você pode pedir  um Uber do seu celular e eu te dou o dinheiro”?

O que você faria?

Ambas as situações e personagens parecem estar acima de quaisquer suspeitas, não é verdade?
Infelizmente, não é bem assim. Fique atento a este novo golpe. Estas pessoas, aparentemente inofensivas, fazem parte de uma quadrilha. No meio do caminho ou já no destino indicado, encontrarão seus comparsas que irão render e assaltar o motorista.

Fernanda Carvalho / Fotos Públicas

Conversamos com um motorista que, compreensivelmente, preferiu que preservássemos o seu nome. “Os golpistas ficam próximos a hospitais, supermercados; são principalmente senhoras e mulheres grávidas para comover mesmo. Alegam que estão sem bateria ou sem internet e pedem para alguém chamar um Uber para elas. Aí a pessoa se sensibiliza com a situação e acaba querendo ajudar, por humanidade. Mas aí o que acontece: estas golpistas adentram o veículo e alguns quarteirões depois pedem para o motorista parar para pegar um neto, sobrinho, filho, namorado que, na realidade, é um ladrão que vai entrar no carro e assaltar o motorista”, contou.

Ele nos disse, também, que este crime tem sido aplicado especificamente com a Uber, o que não é demérito ao aplicativo. Ao contrário, por ser uma das plataformas mais exigentes em termos de segurança, os criminosos precisaram ser criativos. “Há empresas em que, com um CPF qualquer, sem muita burocracia, já é possível chamar um carro. Os marginais compram um chip e aplicam golpes com facilidade. Já a Uber exige mais detalhes, como conta em banco, cartão de crédito, um endereço de e-mail antigo, tornando a situação mais difícil para o golpista. Então, eles começaram a agir desta forma, usando uma pessoa idônea para pedir o carro e dificultando que a plataforma consiga fazer alguma coisa”.

Os bandidos deixarão poucos rastros dificultando a investigação por parte das autoridades policiais também.

E o que pode acontecer com você, caso tenha chamado o veículo para os criminosos?

Lembre-se: você pediu o carro, a empresa fornecerá seus dados às autoridades competentes e, inicialmente, as investigações o apontarão como suspeito, ainda que o motorista não o reconheça.

O objetivo deste texto não é entrar em debate mais amplo sobre as penas previstas, mas para o crime de roubo, art. 157 do Código Penal, são, no mínimo, 4 (quatro) anos.

E se a situação terminar de maneira ainda mais trágica?

Recentemente, em um intervalo de duas semanas na Grande São Paulo, cinco motoristas foram assassinados.

Imagine seu nome envolvido em um crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, também previsto no art. 157, § 3º, II do Código Penal, cuja pena mínima é de 20 (vinte) anos.

Você poderá ser preso em flagrante e se ver em uma situação bastante delicada de precisar provar sua inocência em um processo criminal que pode levar anos e gerar desgaste emocional e prejuízo financeiro a você e sua família.

Acredito muito que, em uma situação como esta, a vítima consiga provar sua inocência, mas é preciso ter em mente que há uma remota possibilidade de isto não acontecer. Ainda que não seja preso, responder a um processo penal, seja por roubo ou roubo seguido de morte, será muito danoso em todos os aspectos.

É com pesar que, ao expor este golpe, eu cause algum tipo de desconfiança. Talvez, corramos o risco de não ajudar pessoas que realmente precisem, mas, como diz um velho ditado: “o seguro morreu de velho”.

Os próprios aplicativos, em seus termos de uso, alertam ao usuário que ele é o único responsável pelo uso e definem regras claras sobre a cessão da conta a terceiros. Destacamos um trecho do contrato da Uber como referência:

CONDUTA E OBRIGAÇÕES DO USUÁRIO.

“O Serviço não está disponível para uso para indivíduos menores de 18 anos. Você não poderá autorizar terceiros(as) a usar sua Conta, você não poderá permitir que pessoas menores de 18 anos recebam Serviços de transporte ou logística de Prestadores Terceiros, salvo se estiverem em sua companhia. Você não poderá ceder, nem de qualquer outro modo transferir, sua Conta a nenhuma outra pessoa ou entidade…”

O Tudo Golpe aproveita o espaço para deixar um questionamento à Uber feito pelo motorista já citado na reportagem:

“Quem sabe por meio desta divulgação nós, motoristas, não conseguimos uma melhoria que muitos de nós têm reivindicado, mas sem respaldo da Uber. A nossa foto é divulgada para o passageiro, nossos dados também são divulgados, mas a foto do passageiro não é divulgada para o motorista. Isso seria muito importante porque teremos a certeza de que é realmente o dono do aplicativo que está pedindo, de que ele realmente está ligado ao banco de dados da plataforma. O que não dá é para continuar deixando a cabeça dos motoristas a prêmio”.

Reverbero a pergunta: por qual razão o motorista não tem acesso aos dados do usuário com sua foto? Se alguém souber responder, por favor, deixe nos comentários.

Fica a minha recomendação: não empreste sua conta de usuário de aplicativo para pedir um carro para estranhos. Aliás, não o faça também para empréstimo de bicicletas e patinetes. Já presenciei crianças pedindo a terceiros que desbloqueassem alguns destes veículos.

Negue porque é o que determina a regra dos aplicativos e principalmente porque é o mais seguro para você.

 

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