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Veja como é o golpe da troca de cartão, que explode no Carnaval

Flávio Tasinaffo

29/01/2020 04h00

O Carnaval está chegando e é preciso ficar muito atento para não se tornar vítima do golpe da troca de cartão.

Esta prática foi amplamente noticiada ano passado. Eu mesmo concedi entrevista e colaborei em uma reportagem para o Jornal da Band. Ainda assim, por desatenção, muitos foliões caíram neste golpe que causa muita dor de cabeça e um prejuízo financeiro enorme.

Talvez a convicção de que "eu jamais cairia em um golpe como este" seja exatamente um dos pontos que favorecem aos criminosos. Ocorre que os golpistas são rápidos e ardilosos.

Como o golpe acontece?

O cliente vai comprar uma bebida e o golpista, disfarçado de ambulante, irá distraí-lo com um bate-papo, a oferta de uma promoção, uma piada, um argumento qualquer. Ele vai pedir o cartão, colocar na maquininha e memorizar a senha digitada. Há um cartão idêntico ao do consumidor embaixo do equipamento. Os criminosos têm plásticos de várias cores, bancos e administradoras obtidos com outras vítimas. Assim que a transação for aprovada, o bandido irá retirar o recibo e entregá-lo junto com o cartão que estava escondido.

Agora, com o cartão e a senha, o golpista irá limpar a conta corrente da vítima em poucos minutos. Solicitará empréstimos que estiverem disponíveis, utilizará o cheque especial, enfim, causará um verdadeiro estrago. Aliás, caro leitor, faço um parênteses aqui: considere pedir ao seu gerente para remover limites e créditos pré-aprovados para aquisição de imóveis ou veículos quando você estiver certo de que não os irá utilizar.

Meu principal conselho é: não se limite em dizer: "comigo nunca vai acontecer". Adote estratégias que, de fato, garantam que você não entrará para esta estatística:

  1. Ao ter o seu cartão devolvido, em qualquer lugar que tenha feito compras, mas principalmente em locais de grande aglomeração como nos blocos de Carnaval, certifique-se que é realmente o seu cartão, observando o nome gravado no plástico.
  2. Você também pode personalizar seu cartão com algum adesivo, o que facilitará sua identificação e inibirá a ação do golpista.
  3. Prefira ter a maquininha em suas mãos, virada para você. Confira o valor que foi digitado pelo vendedor e esteja certo de que ninguém esteja observando sua senha.
  4. Mantenha o número do seu celular atualizado no banco e na administradora, pois assim você receberá SMS informando transações que forem realizadas com seu cartão, permitindo identificar mais rapidamente alguma que não tenha sido autorizada. Percebeu que alguém está usando seu cartão, cancele-o imediatamente.
  5. Procure esconder o código de segurança do seu cartão. Ainda que o golpista não consiga trocá-lo, pode tentar rapidamente tirar uma foto da numeração e memorizar os três ou quatro dígitos do código de segurança, o que possibilitará a ele realizar compras pela Internet.
  6. Outra questão importante, dica simples que atravessa gerações: vai para o bloco? Leve apenas o que for estritamente necessário. E cogite levar algum dinheiro como alternativa para não ficar na mão no caso de perda ou roubo do cartão.

Golpe da troca do cartão faz ainda mais vítimas durante o Carnaval.(Rovena Rosa/Agencia Brasil)

O que fazer caso já tenha sido vítima do golpe?

Com estas dicas, tenho certeza de que você estará seguro. Mas, se for vítima ou se encontrar alguém nos blocos que tenha acabado de ter o cartão trocado, o primeiro passo é tentar lembrar qual era a maquininha que o golpista estava utilizando. Atualmente, pela cor e formato, é fácil identificar. Caso não se recorde, o banco pode ajudar. E por que isso faz diferença?

Muita gente não sabe, mas a vítima pode ligar para a empresa responsável pela administração da maquininha e, se fizer isso rápido, talvez seja possível bloquear o saldo do golpista e recuperar todo o dinheiro. Eu já havia dado esta dica quando comentei sobre o golpe do sequestro no débito ou no crédito.

Também é fundamental entrar em contato com o banco para cancelar o cartão e fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ao local em que o golpe aconteceu.

Espero que estas dicas tenham ajudado e lhe permitam ter um Carnaval com muito mais segurança.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Flávio Tasinaffo é advogado, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal Econômico e tem 35 anos de experiência no segmento de prevenção à fraudes

Sobre o Blog

O blog Tudo Golpe é a extensão de um projeto criado por Flávio Tasinaffo (http://tudogolpe.com.br/) com o objetivo de alertar e ajudar as pessoas a não caírem em golpes rotineiros.