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Completar nível de óleo no posto de combustível pode não ser uma boa ideia

Flávio Tasinaffo

04/10/2019 04h00

Com a convicção de quem havia recém realizado a revisão do carro e seguro de que estava tudo certo com a qualidade e o nível do óleo, eu passei por alguns postos de gasolina nos dias que se seguiram. Em todos, deixei que o frentista abrisse a tampa do motor para medição. O resultado foi alarmante: na metade desses estabelecimentos, os funcionários recomendaram que eu trocasse ou completasse o óleo. Golpe ou falta de conhecimento?

Postos de gasolina oferecem muito mais do que combustível. São estabelecimentos com diversos produtos e serviços: lubrificantes, lavagem de veículos, lojas de conveniência etc.

Quando o motorista para na bomba para abastecer, o frentista quase sempre sugere abrir a tampa do motor para verificar a água e o óleo. Se o cliente permitir, poderá se arrepender bastante.

Frentista não é mecânico e, por falta de informação técnica, ele pode cometer um erro que lhe trará grande prejuízo. E há os que conhecem todas as especificações do automóvel e, ainda assim, adotam a desonesta prática de empurrar serviços para o consumidor. Seja por negligência, seja por uma tentativa de enganar o cliente, em ambos os casos o motorista perde dinheiro e ganha uma grande dor de cabeça em relação à manutenção do carro.

Colocar óleo em excesso no motor, ultrapassando a capacidade recomendada pelo fabricante, pode causar inúmeros problemas no seu veículo. O óleo pode chegar às velas e causar falhas e aumento no consumo de combustível, por exemplo. O excesso de lubrificante também mudará a taxa de compressão interna do motor, o que levará à redução da vida útil das peças.

Medir o nível do óleo com o motor em funcionamento ou ainda quente compromete a avaliação. A marcação indicará o nível abaixo do recomendado, mesmo que, na prática, não esteja. Há, também, uma minoria de frentistas que, mal-intencionados em fraudar o resultado, não insere a vareta de medição até o final.

Citei alguns exemplos e poderia mencionar muitos outros, mas meu objetivo não é me estender em detalhes técnicos. Quero deixar seis recomendações para você não ser enganado, caro leitor:

  1. Preferencialmente, leve seu carro em oficinas e concessionárias especializadas
  2. Busque algum conhecimento sobre o assunto. Não temos o hábito de ler o manual dos produtos que compramos. Faça isto. Leia o manual do seu veículo e procure saber sobre suas variáveis e especificidades. Um profissional mal-intencionado irá se sentir mais confortável em empurrar serviços para alguém que demonstre insegurança e que seja totalmente leigo no assunto
  3. Troque o óleo de acordo com a quilometragem que constar no manual ou a cada seis meses; óleo tem prazo de validade
  4. Ao menos duas vezes por mês, faça você mesmo a medição do nível do óleo, sempre com o motor frio e desligado e o veículo em um local plano
  5. Quando trocar o óleo, troque obrigatoriamente o filtro do óleo também
  6. Ao parar no posto, se for realmente necessário realizar a medição, nunca o faça enquanto estiver abastecendo. Aguarde 10 minutos em local plano e com o carro desligado para que o motor esfrie. Assim, o óleo retornará ao nível normal e o resultado ficará mais próximo da realidade

Sobre o Autor

Flávio Tasinaffo é advogado, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal Econômico e tem 35 anos de experiência no segmento de prevenção à fraudes

Sobre o Blog

O blog Tudo Golpe é a extensão de um projeto criado por Flávio Tasinaffo (http://tudogolpe.com.br/) com o objetivo de alertar e ajudar as pessoas a não caírem em golpes rotineiros.